Publicar através da Amazon (KDP)

Tenho 5 livros publicados, 4 deles ficção e já experimentei diversos meios de publicação. Obviamente que tentei as editoras de renome mas, sendo um escritor sem nome no mercado e sem outros predicados que possam agradar às mesmas, nunca obtive resposta positiva. Aliás, sejamos honestos, em 80% das vezes não obtenho resposta, mais 18% das vezes recebo uma desculpa esfarrapa e completamente fora de tempo e em apenas 2% das vezes obtenho uma resposta honesta (foi uma vez da Porto Editora).
Por norma, estas editoras não investem em autores novos, independentemente da qualidade.

As editoras vanity (Chiado, Emporium, Cordel d’prata, etc), apesar do que digam, têm com modelo de negócio vender livros aos autores e não vender livros aos leitores. Se os autores quiserem vender com estas editoras têm de ser deles o esforço de divulgação, isto para além do pagamento generoso dos serviços da editora. O investimento da editora é, na minha experiência e na de muitos outros autores com quem falei, parco, para ser generoso nas palavras. Pode ser uma boa opção para quem não tenha conhecimentos para conseguir fazer o seu livro em todos os seus aspectos (para além da escrita em si, já que essa é, obviamente, incubência do autor). Mas se o autor tiver essa capacidade, não vejo qualquer vantagem em relação ao que eu chamo as “Publicadoras”.

A “Publicadoras” são aquelas que fornecem apenas serviços de publicação. Tudo o resto que faria parte de uma edição (revisão, paginação, desenho de capa, etc), até pode ser conseguido através delas, mas é à parte. É o que principalmente as distingue das editoras vanity.
A experiência que eu tenho é o com o “Sítio do Livro” e até posso uma ou outra vez não ter ficado agradado com o resultado final mas, ou foi culpa minha porque não sabia efectivamente fazer as coisas que não ficaram bem (e não faziam parte do contrato de publicação) ou por excesso de expectativas. Nesta, e noutras empresas do estilo, o investimento necessário é muito menor e os meios de divulgação mais interessantes, como presença na Feira do Livro e evento de lançamento, fazem normalmente parte do pacote.
São, na minha opinião, uma aproximação muito mais honesta ao mundo da publicação de livros.

Como resultado, a não ser que a nossa rede de contactos seja muito grande e adequada a estas questões de cultura ( e neste caso seria possível que uma editora “a sério” se interessasse pela publicação) as duas opções acima nunca nos levarão longe junto de um grupo mais alargado de leitores e, mais ou menos, implicarão sempre um investimento financeiro que não é certo que consigamos reaver.
Por esta razão, apesar de eu continuar a escrever, comecei a guardar os textos na gaveta em vez de os publicar.

Durante todo este processo fui desenvolvendo a capacidade de executar a um nível de qualidade profissional, todas as etapas da criação de um livro e, uma amiga mostrou-me que existem hoje em dia várias plataformas que permitem publicar um livro com muito boa qualidade, em formato papel e em formato eBook, com um investimento muito reduzido e com um potencial de distribuição ainda assim interessante.

Das várias plataformas disponíveis acabei por escolher a Amazon, através do KDP (Kindle Direct Publishing) em https://kdp.amazon.com. Ao contrário do que o nome Kindle pode parecer indicar, a plataforma permite também publicar livros físicos que ficam de imediato disponíveis para venda na Amazon. A livraria online mais famosa e com mais alcance do mundo.
Resolvi ir buscar os textos à gaveta e o primeiro, que fora escrito em 2013, foi “A Revolta de Tuong“. Para além do objectivo de colocar o livro ao alcance dos leitores, este teeve também o objectivo particular de aprender o processo de publicação da Amazon.

O livro em papel.
Devo dizer que fiquei surpreendido com o modo directo e sem problemas com que o processo decorreu. Não foi à primeira por falta de qualidade, mas apenas atribuível a mim que estava ansioso para ver se tudo funcionava e submeti um projecto que ainda podia ter melhorias significativas.
Mas o texto em PDF apresentou-se sem qualquer falha e sem qualquer impedimento e, depois de consultar as regras para a capa, que são bastante claras e concisas, o único problema que tive foi de confiar menos no previewer do KDP e mais no que via nas aplicações do meu computador. Fazendo a devida alteração nos factores de avaliação da qualidade da imagem, o resultado final foi muito preciso e extremamente fiel ao que eu pretendia.
As provas de impressão que se podem pedir antes de publicar são entregues muito rapidamente e a preço de produção.
As cópias de autor são ao mesmo preço mas o tempo de entrega é absurdamente longo. As que pedi demoraram quase um mês a ser entregues quando para compras como cliente normal no site anunciam 3 dias de tempo de entrega!
O acondicionamento destas cópias também foi muito mal feito resultando em alguns livros com os cantos quebrados e riscados/raspados por andarem à solta dentro da caixa do envio. Mas uma reclamação foi atendida e o dinheiro dos exemplares defeituosos foi devolvido.
A formação do preço de venda é outra coisa um pouco estranha. Há um preço de custo, mas ao preço de custo acrescenta-se uma percentagem enorme (à volta de 60%) para formar o preço minimo de venda e depois o ganho do autor são 60% (ou menos, dependendo dos mercados) da diferença entre o preço de venda definido e o preço minimo de venda.
Ainda é melhor que as opções de vanity acima, mas acaba por desiludir um pouco esta parte dos potenciais ganhos com uma publicação.

O livro em eBook.
Aqui tive alguns problemas. Também era o meu primeiro eBook.
O formato ePUB que o programa de paginação que uso (inDesign) cria é completamente incompatível com a plataforma kindle. É que nem sequer tenta converter porque dá logo erro. Importanto para o kindle eBook o formato PDF fica muito desformatado.
Ah! Estava a esquecer-me que eu não uso o Word para escrever. Isto porque o kindle eBook tem uma predileção pela importação de ficheiros Word.
Uso o Libreoffice e a versão que eu conseguia instalar no meu computador velhinho não conseguia gravar para ePUB. Instalei o Calibre editor, mas as coisas também não correram bem e entretanto tive que dar mais atenção ao meu, igualmente recém publicado, livro das “Orquídeas Silvestres da Arrábida“.
O computador velhinho (com mais de 17 anos mas graças ao Linux ainda servia para os gastos), foi finalmente reformado e, com a versão mais recente do Libreoffice, que já exporta para ePUB, e a igualmente mais recente versão do Calibre tudo foi mais simples. Era um processo novo para mim e por isso foi necessária muita aprendizagem, mas o eBook ficou pronto em poucos dias e mudei a minha opinião sobre o processo de criação de livros em formato electrónico da Amazon.
A questão dos ganhos é mais simples com o eBook. Se se entrar no programa Select (só se pode vender na Amazon) ou se se mantiver o preço dentro da gama ideal definida pela Amazon (3 a 10 USD), ganha-se 70% do preço de venda definido, mesmo uns cêntimos para despesas da venda do livro em si.

As duas versões do livro “A Revolta de Tuong” podem ser encontradas na Amazon através deste link:
https://www.amazon.es/dp/B08Q6NZZBR

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